Aprender a usar smartphones, aplicativos e serviços online tornou-se, nos últimos anos, uma etapa crucial na vida da população com mais de 60 anos no Brasil.
O letramento digital na terceira idade, que consiste no conjunto de habilidades que permitem compreender, navegar e utilizar tecnologias digitais de maneira segura e autônoma, ganhou destaque principalmente após a pandemia, quando o distanciamento social acelerou a busca por conexão, informação e serviços por meio das redes.
Hoje, saber mexer nessas tecnologias deixou de ser um diferencial e se tornou necessidade para levar uma vida com mais qualidade e acessibilidade.
Conectividade não é significado de letramento digital
De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o uso da internet chegou a 70% dos idosos brasileiros em 2024. Porém, a mesma pesquisa revela outra face dessa conquista, em que 66% desses usuários afirmam não saber utilizar plenamente os recursos disponíveis. Ou seja, estar conectado ao meio digital não é sinônimo de que, necessariamente, o usuário saiba dominar a tecnologia, e é a partir desse ponto que o letramento digital na terceira idade se torna um aprendizado fundamental.
Por que o letramento digital na terceira idade exige paciência e treino?
Como qualquer processo de estudo, o letramento digital na terceira idade exige tempo, repetição e paciência, tanto de quem auxilia quanto de quem está aprendendo. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que cerca de 10 milhões de brasileiros ainda estão fora do ambiente digital, muitas vezes por falta de instrução adequada, e não por falta de interesse ou resistência à tecnologia.
Um projeto de lei, que ainda está em tramitação, propõe a criação do programa Conecta 60+, com cursos práticos, simplificação de interfaces e ações de combate a fraudes voltadas a esse público, reforçando que o desafio não é tecnológico, mas sim educacional.
De acordo com uma professora de Gerontologia da USP, o letramento digital é baixo em todas as faixas etárias do Brasil, mas as universidades vêm cumprindo um papel relevante na formação prática desse público, com aulas que respeitam o ritmo e as dúvidas de cada aluno.
Praticar também ajuda na garantia da sua segurança financeira
Praticar também é crucial para manter a sua segurança financeira.
Uma pesquisa feita pelo Serasa identificou que cerca de 79% dos idosos já utilizam aplicativos bancários para movimentar suas finanças pelo celular, impulsionados pela popularização do Pix e pela redução do atendimento presencial em agências. Ainda assim, a geração Baby Boomer é a que menos se sente segura ao usar esses serviços, preferindo manter os antigos hábitos manuais. Essa atitude reforça a necessidade de orientação constante contra golpes como o phishing.
Autonomia e liberdade com o letramento digital
Os benefícios em saber sobre letramento digital na terceira idade se tornam mais evidentes no dia a dia. Relatos de pessoas que aos 60 anos ou mais resolvem a maior parte das suas necessidades pelo celular, como pagamentos, compras e comunicação com familiares e amigos, sem precisar se deslocar ou de outras pessoas, crescem periodicamente, reflexo direto do processo de envelhecimento populacional e da busca crescente por mais autonomia.
O letramento digital impacta diretamente a autoestima, a autonomia e a saúde mental das pessoas acima de 60 anos. Ao aprender a enviar um Pix, participar de uma videochamada com a família ou buscar uma informação online, o idoso não só adquire uma habilidade técnica como também recupera o sentimento de pertencimento e fortalece vínculos sociais que, muitas vezes, haviam se perdido com o tempo.
Investimento para toda a vida
Dedicar os seus estudos ao letramento digital é investir em qualidade de vida, com paciência, prática constante e apoio adequado. A tecnologia passa a ser uma ferramenta de transformação, oferecendo mais liberdade, segurança e independência.
Do primeiro clique à autonomia para resolver pagamentos, consultas e comunicações sem precisar da ajuda de terceiros, o caminho do letramento digital na terceira idade mostra que nunca é tarde para aprender e que essa aprendizagem devolve, a cada etapa, um pouco mais de liberdade aos idosos brasileiros.
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