Educação Financeira
Como criar uma reserva de emergência mesmo ganhando pouco

Guardar dinheiro é quase uma missão impossível quando o salário parece insuficiente até para as contas do mês, mas construir uma reserva de emergência depende mais método adotado e da constância do que do valor recebido.

Por isso, separamos um passo a passo realista para começar a sua reserva mesmo com a renda baixa.

Por que a reserva de emergência é urgente mesmo para quem ganha pouco?

Uma pesquisa realizada pelo instituto PoderData mostra que quase metade dos brasileiros não tem R$ 500 disponíveis para um imprevisto financeiro. Esse cenário reforça a importância de guardar uma quantia para emergências, pois qualquer circunstância pode virar uma dívida cara, como cheque especial ou cartão rotativo.

Reserva de emergência: quanto guardar quando se ganha pouco?

A recomendação mais difundida entre os especialistas é guardar de 3 a 6 meses das despesas básicas para ter uma segurança financeira. Esse dinheiro deve ser aplicado em um lugar seguro e de onde possa ser resgatado com facilidade.

Para quem trabalha por conta própria ou tem uma renda que varia todos os meses, o ideal pode chegar a 12 meses de despesas.

Para quem ganha pouco, juntar esse valor parece impossível, mas isso não significa que não vale começar. Um dos erros mais comuns é desistir antes mesmo de dar o primeiro passo, mas ter o hábito de guardar dinheiro é mais importante do que começar com uma grande quantia.

Por isso, em vez de pensar logo em juntar 6 meses de despesas, estabeleça metas menores. Comece guardando o suficiente para cobrir um mês de gastos e, aos poucos, aumente essa reserva até chegar ao valor ideal.

O importante é começar e manter a constância.

Passo a passo para montar a sua reserva de emergência

A primeira etapa é mapear para onde o dinheiro está indo: anote as despesas fixas e variáveis, mesmo se forem pequenas, com a ajuda de um aplicativo de controle financeiro ou em um caderno — escolha a opção mais confortável a você e a sua rotina.

Em seguida, defina uma meta compatível com a sua realidade. Mesmo que sejam R$ 20 por mês no início, o importante é implementar esse hábito a sua rotina, não o valor. Uma estratégia eficaz é separar o dinheiro da reserva de emergência assim que o salário cai, guardando-o em uma conta diferente da conta utilizada no dia a dia, assim as chances de mexer nesse dinheiro são menores.

Quem acumula dívidas altas, como rotativo do cartão que tem juros altos, deve priorizar a quitação e, se possível, guardar uma reserva mínima a fim de evitar recorrer a créditos com juros exorbitantes no caso de imprevistos.

Uma dinâmica atrativa que pode ser muito útil para esse início de adaptação é o desafio das 52 semanas que consiste em ir guardando R$ 1 a mais ao longo das semanas. Por exemplo, na primeira semana, você guarda R$ 5 na sua reserva emergencial, na semana seguinte, guarda R$ 6 e assim por diante até completar 52 semanas.

Esses pequenos valores arrecadados por um longo período podem render até R$ 1.300 ao final de um ano.

Onde guardar a reserva de emergência?

O lugar em que o dinheiro ficará aplicado importa tanto quanto criar o hábito de guardá-lo. A poupança ainda é a opção mais familiar, mas o seu rendimento varia de acordo com os juros da economia e só é creditado na data de aniversário da aplicação, ou seja, quem saca antes do período de 30 dias, perde a remuneração do período.

Algumas opções de investimento podem ser mais práticas e seguras. Entre elas estão os CDBs com a chance de resgate diário e o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros do país. A vantagem dessas opções é que o dinheiro pode ser retirado rapidamente quando for necessário, sendo possível fazer o resgate no mesmo dia ou no dia seguinte. Além disso, elas costumam oferecer uma rentabilidade maior do que a poupança.

Esses investimentos possuem mecanismos de proteção. No caso dos CDBs, existe a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que protege valores de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, conforme as regras do fundo.

Já o Tesouro Selic é um título público e tem como garantia o Tesouro Nacional.

Para quem está no início, a melhor opção é um CDB com liquidez diária, oferecido por uma conta digital. Na maior parte dos casos, é possível começar com poucos reais, o que facilita o primeiro passo para construir uma reserva financeira.

Constância vale mais que o valor

A reserva de emergência não nasce de um salário alto, mas de um método sustentável, no qual você entende seu orçamento, guarda o que é possível com regularidade em um lugar seguro e líquido para esse dinheiro render.

O valor pode começar pequeno. O que realmente garante uma reserva de emergência funcional é a constância.

Se você deseja avançar com mais segurança nesse planejamento, contar com produtos financeiros que se encaixem na sua rotina, como linhas de crédito e outras soluções, pode facilitar cada etapa dessa construção.

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