A tecnologia possibilitou que as transações financeiras sejam feitas com mais agilidade, porém, como consequência, ela abriu novas portas para os criminosos, permitindo que eles achem novas formas de explorar as vítimas. É pensando nisso que a engenharia social e os golpes financeiros se tornaram protagonistas no Brasil, superando até mesmo falhas técnicas de sistemas.
Entender como esses ataques se desenvolvem, do primeiro contato até o resultado, é essencial para que os clientes de instituições financeiras se protejam.
Engenharia social e golpes: o início da armadilha
A abordagem adotada por esses golpistas começa aparentemente inofensiva, pois a vítima é estudada: os criminosos coletam informações públicas e o usam gatilhos emocionais, como urgência, medo ou curiosidade para dar início ao contato, seja por telefone, WhatsApp, e-mail ou redes sociais.
Segundo um levantamento da Quod, empresa especialista no assunto, o número de indícios de casos suspeitos e golpes confirmados no Brasil, cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências. Esse crescimento está diretamente relacionado ao reforço no monitoramento do sistema financeiro depois da implementação das novas regas do Banco Central, ampliando o compartilhamento de informações entre instituições financeiras.
O desenvolvimento da manipulação psicológica
Depois do primeiro contato, os criminosos avançam com objetivo de convencer a vítima a agir contra seus próprios interesses.
De acordo com a Quod, a engenharia social, baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros, o que equivale a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.
O celular foi o instrumento mais usado por esses golpistas. Em sua maioria, os golpes envolvem contas-correntes que têm o Pix disponível como forma de movimentação de recursos.
Nessa etapa, os golpistas se passam por atendentes, familiares em apuros ou até mesmo representantes de órgãos públicos, sempre criando um cenário de pressão que impede a vítima de refletir com calma a veracidade da informação que acabou de receber.
O desfecho e o prejuízo das vítimas
O resultado, na maioria dos casos, é positivo para os golpistas, que conseguem concluir o golpe com sucesso. A pesquisa da Quod estima que milhões de pessoas já forma vítimas de fraudes e golpes no primeiro semestre de 2026 e que possivelmente outras milhares já sofreram golpes duas vezes ou mais em um mesmo período.
O perfil mais atingido tem entre 18 e 34 anos e renda fixa de até dois salários-mínimos. Além do prejuízo, há o impacto emocional, que gera desconfiança e dificuldade na recuperação dos valores perdidos, já que a recuperação do dinheiro costuma ser difícil mesmo quando há prisões.
Como se proteger?
Diante desse cenário, saber como se prevenir é a melhor defesa. A recomendação de especialistas é que os consumidores nunca tomem decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho — período em que os golpistas se aproveitam para distrair as vítimas — e evitem clicar em links recebidos por mensagens ou emprestar a própria conta bancária para terceiros.
Reforçamos que, aqui na Crefisa, nós nunca solicitamos senhas, códigos de verificação ou transferências via mensagens espontâneas. Se constatar contato suspeito, desconfie e confirme a informação diretamente pelos canais oficiais. Lembre-se: nunca compartilhe dados sensíveis.
O combate a engenharia social e golpes é uma responsabilidade compartilhada entre instituições e clientes, e a informação ainda é maneira mais eficaz contra a manipulação.
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