O QR code faz parte da rotina dos brasileiros, afinal, ele está presente nos cardápios do restaurante, na hora de efetuar um pagamento via Pix, fazer login em plataformas de streaming e até em mensagens recebidas no celular, sendo necessário só apontar a câmera para liberar o acesso.
É justamente pela praticidade que criminosos passaram a explorar o recurso para aplicar o quishing, um golpe em que o código esconde um endereço falso.
O que é quishing e por que o perigo é oculto?
O termo é uma junção de “QR code” e “phishing”, nome dado às fraudes que tentam enganar a vítima para obter dados ou dinheiro. Em vez de enviar um link suspeito para ser clicado, o golpista pede que a pessoa escaneie um código.
O risco está no fato de o QR code não exibir, inicialmente, o endereço a que a imagem redirecionará. Assim, desaparece um dos principais sinais que ajudam a identificar uma fraude.
Depois da leitura, a vítima pode ser encaminhada a páginas falsas de login, cobranças inventadas ou ao download de programas maliciosos.
Onde o golpe do QR code costuma acontecer?
Um dos casos mais comuns é a troca do código verdadeiro por um falso, com adesivos colados por cima do original. Um caso que exemplifica esse golpe aconteceu em Belo Horizonte: criminosos usaram esse método em 40 vagas de estacionamento rotativo e desviaram cerca de R$ 12 mil reais em apenas três dias, de acordo com levantamentos. Totens de autoatendimento e placas informativas também entram na lista de alvos.
Outra maneira que os criminosos encontraram para atacar as vítimas é por e-mail. O golpista imita bancos, lojas ou transportadoras e envia um QR code para “atualizar o cadastro”, “liberar uma encomenda” ou uma cobrança que a pessoa não reconhece. Mesas de restaurantes e boletos adulterados completam o cenário de risco.
Dicas práticas para não cair no quishing
Algumas atitudes simples podem ajudar a reduzir bastante o risco de cair nesse tipo de golpe:
- Observe o local: verifique se o QR code está colado sobre outro, riscado, com impressão torta ou de baixa qualidade.
- Leia o endereço antes de abrir: a maioria das câmeras de celular mostra o link antes do acesso. Se o endereço parecer estranho, não dê continuidade.
- Confira o recebedor antes de pagar: ao escanear um código de pagamento, o aplicativo do banco mostra nome, CPF ou CNPJ e valor. Se os dados não corresponderem ao estabelecimento, interrompa a operação.
- Desconfie da pressa: frases como “pague agora” ou “evite o bloqueio da conta” servem para impedir que você pense muito antes de prosseguir.
- Não informe dados sensíveis: um pagamento por QR code não deve solicitar CPF, senha ou códigos de segurança do cartão.
O que fazer se você cair no golpe?
Agir rápido ajuda a diminuir o prejuízo. Por exemplo, se você fez um pagamento para um código falso, entre em contato imediatamente com o seu banco, informe a suspeita de fraude e peça a análise do caso, inclusive o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Guarde comprovantes e capturas de tela e registre um boletim de ocorrência.
Se você digitou senhas em uma página suspeita, troque-as o quanto antes, ative a autenticação em dois fatores e acompanhe a movimentação das suas contas em busca de atividades incomuns.
Atenção é a melhor proteção
O QR code continua sendo uma ferramenta útil e segura quando usada com cuidado. O problema não está na tecnologia, mas na manipulação do código. Reservar alguns segundos para conferir o local, o endereço e o destinatário do pagamento é o que separa o uso tranquilo de uma dor de cabeça.
Compartilhe essas orientações com familiares e amigos, especialmente os que estão começando a usar o celular para realizar esses meios de pagamento, e ajude mais pessoas a não caírem no quishing.
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